
Uma vinícola ou uma obra de arte? Quem visita a casa Lapostolle, especialmente a área dedicada à produção do seu vinho ícone o "Clos Apalta" fica abismado com o refinamento estético desta bodega localizada no Vale Conchagua. O vinho que ela abriga foi lançado em 1997 e é produzido em quantidade limitada com uvas cultivadas na própria vinha da Apalta.
O vinho, que é um corte de Merlot, Petit Verdot, Carménère, e Cabernet Sauvignon, já ganhou diversos prêmios internacionais e foi considerado o vinho do ano pela revista Wine Spector em 2008. A colheita é manual e, após o engaço (os cabinhos do cacho) ser retirado à mão, as uvas são levadas para sua fermentação natural, que ocorre em tanques de carvalho francês. Cada tanque corresponde a uma parcela específica das uvas do Apalta, o que permite que a personalidade do terroir seja melhorada em cada caso. A fermentação malolática é feita em barricas novas. Em seguida, o vinho passa para o envelhecimento por dois anos também em barricas novas de carvalho francês.
Tive a oportunidade de degustar as premiadas safras de 2005 e 2006 no fim da degustação horizontal que realizei na Casa Lapostolle, em 2009. Antes tive a oportunidade de degustar um "Casa Lapostolle Sauvignon Blanc" 2008, um "Casa Lapostolle Chardonay" 2007 e o "Cuvée Alexandre Chardonay", também da mesma safra, seguido do "Cuvée Merlot" 2006.
O "Casa Lapostolle Sauvignon Blanc" 2008 tinha uma cor amarela suave com um ligeiro toque esverdeado. No nariz, pêra, flores brancas e frutas cítricas, e na boca uma boa acidez que oferecia um agradável frescor. O "Casa Lapostolle Chardonay" 2007 era amarelo brilhante e seu aroma era de frutas tropicais (manga, lichia e mamão) mas também apresentava um pouco de damasco e um bem suave toque de madeira. Já o "Cuvée Alexandre Chardonay" 2007 apresentava uma tonalidade amarelo ouro e no nariz, fruta intensa com uma nítida presença de tangerina e flores brancas. Na boca uma suave cremosidade e no retrogosto, mais frutas cítricas. Em seguida, "Cuvée Alexandre Merlot" de cor rubi com aromas de amoras, pimenta do reino e um toque de manjericão. A madeira, também presente, dava um toque de baunilha e noz moscada.
O Clos Apalta
A safra de 2005 realmente se destacava, possuía uma cor vermelho rubi muito intensa com toques violetas. No nariz, era exuberante e ao mesmo tempo complexo com aromas de frutas negras e vermelhas, como amora, mirtilo, cereja negras e também cheiro de figo seco ou, poderia arriscar, um pouco do cheiro adocicado do figo Ramy. A madeira presente, com elegância, traz aromas de baunilha, e até um toque de especiarias, como uma nota de cravo da índia. A safra 2006, também muito interessante, expressa bem a tipicidade da carménère presente no corte deste vinho. Aqui também senti os aroma de frutas negras e vermelhas selvagem, e a madeira confere também aroma de mocha e vanilla.