terça-feira, 12 de abril de 2011

A História do vinho por Hugh Johnson (Vídeo) - Episódio 9 (Os vinhos de Bordeaux)

Seguimos nossa série sobre história do vinho, hoje aprendendo sobre a história de Bordeaux. Hugh começa nos contado que a região do Medoc, inicialmente, não era para nada um lugar de luxo. Na verdade era descrita com um lugar selvagem e solitário com pequenos vilarejos construídos em pequenas clareiras que mordiscavam a paisagem da grande floresta.

A região era pantanosa, mas a eficiente drenagem do seu solo foi fundamental para o bom desenvolvimento das poucas videiras que eram cultivadas na região. No século XVIII porém a propagação intensa de vinhedos pela região de Bordeaux fez necessária a implementação de divisões da região em áreas específicas.

Os viticultores escolhiam as terras mais elevadas. As melhores avistavam o rio Gironde, ficando em pequenas colinas de terreno com pedregulhos e de excelente drenagem, com solo mais quente e que produziam uvas mais maduras e saborosas.

Em seguida, Hugh nos fala do Marquês de Segur, o “Príncipe dos Vinhos”. Era conhecido assim pois era o proprietário, apenas, dos Châteaux Latour, Lafite e Mouton (mais tarde, Mouton Rothschild).

No video, Johnson tenta explicar como os vinhos dessa região foram tão valorizados. Nos conta que já se constatava na bebida o cuidado diferenciado com o qual o vinho dessa região era preparado. Os vinicultores já compravam barricas novas para cada safra ao invés de simplesmente limpar as antigas. Passaram a podar mais suas videiras para intensificar o mosto e mantinham as barricas cheias, o que evitava a oxidação do vinho.

No vídeo, temos ainda um sobrevôo panorâmico onde vemos claramente como o dinheiro permitiu que fossem construídos os castelos pretensiosos da região de Bordeaux.

Johnson nos mostra ainda o documento assinado em 1855 quando o então imperador Napoleão III solicitou um sistema de classificação dos melhores vinhos de Bordeaux na França, que seriam mostrados aos visitantes de todo o mundo na Exposição Universal de Paris. Os vinhos foram classificados de acordo com o preço de mercado, que na época estava diretamente relacionada à qualidade. O resultado foi chamado de classificação oficial de Bordeaux.

Os vinhos foram classificados em cinco categorias de importância: primeiro, segundo, terceiro, quarto e quinto "crus" (lugar de crescimento em francês). Todos os primeiro "crus" tinto, Chateaux Latour, Lafite, Margaux da lista vinham da região de Médoc, exceto o Château Haut-Brion, que vinha da região de Graves. Aos brancos, foi dada menor importância do que aos tintos e as classificações foram limitadas às variedades doces de Sauternes e Barsac, consideradas, respectivamente, primeiro e segundo "cru".

A única alteração dessa lista foi conseguida em 1973 após os 50 anos de luta do Barão Philippe de Rothschild com as autoridades francesas. A reclassificação do seu Château Mouton Rothschild foi a primeira e última conseguida desde então.

Quem quer ser um Master of Wine

master of wine
Em todo o mundo existem apenas 288 "mestres do vinho", vivendo em 23 países, e apenas dois latino-americanos, sendo o brasileiro Dirceu Vianna Junior um destaque nesta lista.


O exame é pesado. Nosso único "Master of Wine" brasileiro se formou no prestigiado
Wine & Spirit Education Trust, que reúne alunos de várias partes do mundo. Sua luta para se tornar um Master of Wine, com índice de aprovação de apenas 5%, levou seis anos. A que ser persistente… Muito mesmo, pra falar a verdade. Dirceu, antes de conquistar o título, foi reprovado três vezes até que, finalmente, em 2008 consegui chegar lá. A avaliação apresenta questões teóricas de viticultura, enologia e marketing, além de um teste de degustação, em que o candidato é colocado diante de doze mostras de vinho e deve identificar a região onde foi fabricado e a safra.

Além de um super olfato e paladar, o Master of Wine deve unir conhecimentos práticos e teóricos sobre "a arte, a ciência e o negócio do vinho" e deve se preparar muito para as provas. É proibido fumar e beber, para não atrapalhar o paladar. O candidato também não pode dormir tarde, para não perder a concentração. Além disso, todo o esforço pode ir por água abaixo se no dia da prova o candidato estiver gripado, por exemplo. A preparação deve incluir ainda viagens para conhecer vinícolas mundo afora e grupos de estudo com os amigos onde vinhos caros devem ser degustados. Em outras palavras, uma formação que não sai barata. Principalmente para nós brasileiros que pagamos tão caros pelo vinhos que vem de fora do nosso Mercosul. Finalmente, se você sonha em um dia se tornar um Master of Wine saiba que além da obstinação e preparo, você precisará de condições para bancar uma formação especialmente cara. Se quiser aprender mais sobre o "The Institut of Master of Wines",
clique aqui.

Os vídeos abaixo foram gravados em maio de 2010 durante um dia de master class aberta para futuros estudantes do Instituto em Londres. Aqui temos uma visão geral do Instituto, seu trabalho e do que envolve o estudo para se tornar um Master of Wine.

IMW 2010 London Open Day from Masters of Wine on Vimeo.


IMW 2010 London Open Day Q&A Session from Masters of Wine on Vimeo.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Quiz Espaço do Vinho - VARIEDADES REGIONAIS (Veja o resultado ao final)

Continuamos hoje nosso Quiz Espaço do Vinho. São, apenas cinco questões, e como sempre, você descobre seu desempenho na hora. Hoje um pequeno teste sobre seus conhecimento de uvas emblemáticas de diferentes regiões e países do mundo. Você poderá ver se a sua resposta esta correta ou errada no canto direito da página. No final apresentamos sua porcentagem de acerto no Quiz. Para começar é só clicar no link abaixo.

>> QUIZ ESPACO DO VINHO - Variedades Regionais <<

sábado, 2 de abril de 2011

Risotto D'Ossobuco com Montepulciano d'Abruzzo na São Paulo Restaurant Week

emporio

Esta quinta-feira segui minha jornada pela programação da São Paulo Restaurant Week. Até agora não havia escrito nada sobre a semana neste Blog pois, sinceramente, havia me decepcionado bastante com que estava encontrando. Porções mínimas, por vezes pouco criativas, e alguns erros de combinações. Finalmente, neste dia tive uma grata surpresa no Empório Ravioli. Começamos por uma delicada Insalatina del Macellaio, uma saladinha com salsa verde e maminha fatiada, muito gostosa. Também provei a outra entrada do cardápio, uma Insatina di frutti di mare al profumo di Limone Siciliano (saladinha de frutos do mar ao perfume de limão siciliano).


foto
O prato principal estava bem servido, (Bravo!) e delicioso. Foi um Risotto D'Ossobuco (a foto ao lado é de meu amigo Gustavo Mansur). O arroz arbório estava perfeitamente cozido e a carne, desfiada, estava muito saborosa. Uma delícia! Harmonizamos o prato perfeitamente com um Montepulciano d'Abruzzo Vasari 2008 muito agradável e premiado com os "due bicchieri" do Gambero Rosso. Um vinho sem barrica, fácil de beber e perfeito para abrir num fim de dia estressante de trabalho. No nariz, um frutado muito agradável, cerejas negras, ligeiro chocolate e um toque terroso. Na boca, tem bom corpo, taninos equilibrado e uma boa persistência.

barba_vasari_monte_750
O vinho é produzido pela vinícola Fratelli Barba e tem excelente relação qualidade/preço. A vinha fica localizada nas proximidades da cidade de Terano, ao norte da região de Abruzzo, ao longo do vale do rio Vomano, nos arredores das montanhas da Colline Teramane. Esta é considerada uma área nobre para criação da uvas Montepulciano. A Familia Barba reduz a quantidade de uvas produzidas por cada videira e, portanto, obtém uma boa qualidade e maturação das uvas. A colheita é feita do fim de setembro até, no máximo, a segunda semana de outubro.

CENTORAME

O terroir é caracterizado por depósitos marinhos pré-históricos originários do final do período terciário e início do quaternário quando a região fazia uma pequena baía junto ao mar Adriático. O clima é particularmente favorável, graças ao fato do Mar Adriático estar tão perto, o que mantém a temperatura amena durante todo o inverno.


A sobremesa foi um delicioso tiramisu com um chantilly muito leve e gostoso. Vale a pena conferir!!!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Quiz Espaço do Vinho - HARMONIZAÇÃO (Veja o resultado ao final)

Começamos hoje o Quiz Espaço do Vinho. É rápido, apenas quatro questões, e você descobre seu desempenho na hora. Começamos com um pequeno teste sobre seus conhecimento de harmonização. Para começar é só clicar no link abaixo.

>>QUIZ ESPACO DO VINHO - HARMONIZAÇÃO<<

segunda-feira, 21 de março de 2011

A História do vinho por Hugh Johnson (Vídeo) - Episódio 8 (Madeira e Porto)

Neste vídeo Hugh Johnson conta um pouco da história dos vinhos Madeira e do Porto. Hugh diz que poderíamos chamar o vinho Madeira de um "vinho acidental", pois ninguém no século XVI iria procurar vinhos em uma remota ilha do Atlântico.
Somente os navegantes que iam para o Novo Mundo, e que tinham que parar obrigatoriamente nesta ilha para abastecer seus navios, acabavam provando este vinho local.
Johnson conta que os viajantes não gostavam muito deste vinho, pois o achavam muito pouco encorpado. Porém, ao carregar este vinho no barco, cruzando o oceano até chegar na América, eles ficaram muitos surpresos com o que aconteceu com o sabor desta bebida: melhorou substancialmente.
Os britânicos não queriam autorizar o mercado livre entre suas colônias e a Europa. Porém, para o Rei João II, como a Ilha Madera não integrava a Europa e sim a África, e como fazia parte da rota do ingleses para a América, acabou se tornando o vinho preferido das colônia da América do Norte e da América do Sul. Em pouco tempo o Madeira cruzou de volta o Atlântico e passou a estar presente não só nas mesas requintadas das colônias como também das cortes européias. Só para ter uma idéia da importância deste vinho, em 4 de Julho de 1776 foi com ele que se brindou à independência dos Estados Unidos da América, provavelmente por ser uns dos vinhos favorito do estadista Thomas Jefferson.
O método de produção remonta ao ambiente enfrentado nos porões dos navios, que a mercê das altas temperaturas dos trópicos, regressavam claramente melhorados. A partir do século XVIII engenhos foram adaptados para sua produção. Os vinhos eram colocados próximo ao telhado para um aquecimento direto ou se fazia uma circulação do vapor de água através de serpentinas de cobre.
Hoje as técnicas evoluíram e atualmente estufas modernas são construídas em aço inoxidável, com camisas de transmissão de calor. O vinho é aquecido e permanece a uma temperatura na faixa dos 50°C por 90 dias, seguidos de mais 90 dias à temperatura ambiente. Assim fica a mercê das oxidações e reduções sucessivas que aportam ao vinho seu aroma e paladar peculiar. O vinho também muda de cor, perdendo densidade cromática e adquirindo laivos acastanhados ou amarelados.
Após falar sobre o Madeira, Johnson nos introduz a outro importante vinho fortificado, o Porto. Inicialmente somos levados a uma cena bem tradicional onde portugueses dançam sobre os cachos das uvas para extrair o mosto mostrando todo o primitivismo que ainda encontramos em algumas poucas vinícolas do Porto. Johnson nos explica, de forma breve, o processo de produção o vinho do Porto. Conta que o mosto fermenta por apenas de dois dias para que se extraia apenas metade de seu açúcar transformado em álcool. A partir daí todo o suco é levedado para as pipas, que já estão com uma quantidade certa de aguardente vínica em seu interior para frear a fermentação. Em seguida, fala da polêmica que foi, no século 19, o fato deste vinho utilizar este processo de adulteração para frear a fermentação.
Conta também a história de Joseph James Forrester, um cartógrafo e cientista, que, assim como muitas personalidades de seu tempo, defendeu arduamente a não adulteração, que ele considerava uma prática maliciosa. Na sua obra de 1844, Uma palavra ou duas sobre o vinho do Porto, declarou guerra aos que adulteravam o vinho. Johnson conta também como James morreu afogado, em 1861, em uma das viagens que fez pelo Douro levando o vinho a te a cidade do Porto. O peso do cinto de dinheiro que levava junto ao corpo fez com que ele afundasse e nunca fosse encontrado. E conta como que o mesmo venho a perecer afogado nas viagens nas corredeira tortuosa do douro que era atravessada naquela época para levar o vinho até a cidade do Porto. O barco de Forrester virou-se em 1861, no Cachão da Valeira, sendo arrastado para o fundo por causa do cinto com dinheiro que levava consigo, nunca tendo sido encontrado o seu corpo. Conta a história que, Nessa derradeira viagem, James estaria acompanhado de D. Antónia Adelaide Ferreira, mais conhecida como "Ferreirinha", que, segundo reza a história, não se afogou porque as saias de balão que vestia a fizeram flutuar até à margem do Rio Douro. Hoje em dia, depois de construídas algumas barragens, o Cachão da Valeira, local do naufrágio, já não constitui o perigo de antigamente para os navegadores do Douro. Além disso, o vinho desce pelas estradas e não mais pelo rio.
Johnson continua, também sem se aprofundar muito, falando sobre dois diferentes tipos de porto: o Tawny e Vintage.
Mais tarde farei um post mais detalhado sobre este vinho que aprecio tanto, assim como fiz do Jerez. Aproveitem o vídeo!

domingo, 20 de março de 2011

Entrevista com Blogueiros: Jeriel da Costa (Blog do Jeriel)

Hoje continuamos nossa série de entrevistas falando com o Jeriel da Costa, do “Blog do Jeriel”. O blog é um dos líderes de audiência dentro do Enoblogs. Graças à dedicação de Jeriel somos brindados com muitas curiosidades e informações sobre eventos, degustações, viagens e novidades do mundo do vinho. Vamos à entrevista!

Espaço do vinho: Jeriel, seu blog, está entre os líderes de audiência dentro do Enoblogs, em fevereiro de 2011. Quando você resolveu lançá-lo imaginava que iria alcançar este sucesso tão rapidamente?

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Jeriel: Sinceramente não. Mas desde o início do blog sempre mantive uma rotina de atualizações constantes, porque não adianta ter um blog sem alimentá-lo. Observo que tem muita gente que cria um blog supõe ser fácil mantê-lo, mas não é assim. Querer resultados imediatos é uma bobagem. Quem cria um blog precisa dizer o que pretende com ele!
EV: Como surgiu a idéia de fazer um blog para falar de vinhos?
J:
Se você acessar o portal da SBAV-SP e clicar no link degustações vai verificar que mais de 90% dos textos são da minha autoria. Escrevi de 2005 até o fim de 2010. Um jornalista de uma revista de grande circulação, da qual fui degustador no período de 2004 ao começo de 2010, disse-me que eu merecia ter um blog. Então gentilmente criou o blog e me cobrou um preço bem camarada. No começo ele só era acessado pelo pessoal da SBAV e por alguns amigos, mas a notícia foi se espalhando e atualmente estou bem próximo de ultrapassar a marca de 1.000 acessos diários e de chegar ao milésimo post. Nem imaginava que isso fosse acontecer, mas estou bastante feliz com isso.
EV:Algum vinho em especial foi responsável pelo seu ingresso definitivo no mundo do vinho?
J:
Quando comecei a me interessar por vinho só degustava chilenos e brasileiros. Em 1996 comprei uma garrafa do Chateauneuf-du-Pape Celestin Planchon 1992, importado pela Expand no antigo Mappin da Pça. Ramos, por R$ 17. Lembro de tê-lo tomado no começo da década de 1980 no saudoso restaurante Bayuvar, da Avenida Adolfo Pinheiro. Ele rivalizava com o Dinho's Place e Rubayat. Seu lema era "o bom gosto". Tinha uma carta repleta de opções. Depois dessa aquisição, comecei a comprar vinhos com alguma regularidade e comecei a frequentar a SBAV desde 1998. Até hoje, o Chateauneuf-du-Pape é um vinho muito importante para mim!
EV: O que você ainda não viu, mas gostaria de ver no mercado e em atividades sobre vinhos em São Paulo?
J:
Que o preço do vinho nos restaurantes tivesse um ágio de, no máximo, 10% sobre o valor de venda sugerido por seus importadores. Outro sonho que tenho é a criação de uma associação de blogueiros. Acredito na sua viabilidade porque me deparo com diversos blogueiros e observo que, ao menos até agora, compartilhamos opiniões semelhantes. Assim como existe ABS, SBAV, revistas especializadas, confrarias, uma associação dessa natureza serviria tão-somente para fortalecer essa categoria emergente.
EV: Se você tivesse que escolher um livro sobre vinhos, qual você recomendaria a um amigo enófilo? E por quê?
J:
No momento estou lendo o Atlas Mundial do Vinho, da Jancis Robinson e Hugh Johnson. Qualquer livro desses dois autores são altamente recomendáveis.
EV: Indique para nós um vídeo imperdível, disponível na internet, sobre vinhos que você recomenda?
J:
Posso indicar dois filmes: "Sideways"


e "Um bom ano".


São dois filmes divertidos e bom para quem está se iniciando no mundo do vinho.