Neste vídeo Hugh Johnson conta um pouco da história dos vinhos Madeira e do Porto. Hugh diz que poderíamos chamar o vinho Madeira de um "vinho acidental", pois ninguém no século XVI iria procurar vinhos em uma remota ilha do Atlântico.
Somente os navegantes que iam para o Novo Mundo, e que tinham que parar obrigatoriamente nesta ilha para abastecer seus navios, acabavam provando este vinho local.
Johnson conta que os viajantes não gostavam muito deste vinho, pois o achavam muito pouco encorpado. Porém, ao carregar este vinho no barco, cruzando o oceano até chegar na América, eles ficaram muitos surpresos com o que aconteceu com o sabor desta bebida: melhorou substancialmente.
Os britânicos não queriam autorizar o mercado livre entre suas colônias e a Europa. Porém, para o Rei João II, como a Ilha Madera não integrava a Europa e sim a África, e como fazia parte da rota do ingleses para a América, acabou se tornando o vinho preferido das colônia da América do Norte e da América do Sul. Em pouco tempo o Madeira cruzou de volta o Atlântico e passou a estar presente não só nas mesas requintadas das colônias como também das cortes européias. Só para ter uma idéia da importância deste vinho, em 4 de Julho de 1776 foi com ele que se brindou à independência dos Estados Unidos da América, provavelmente por ser uns dos vinhos favorito do estadista Thomas Jefferson.
O método de produção remonta ao ambiente enfrentado nos porões dos navios, que a mercê das altas temperaturas dos trópicos, regressavam claramente melhorados. A partir do século XVIII engenhos foram adaptados para sua produção. Os vinhos eram colocados próximo ao telhado para um aquecimento direto ou se fazia uma circulação do vapor de água através de serpentinas de cobre.
Hoje as técnicas evoluíram e atualmente estufas modernas são construídas em aço inoxidável, com camisas de transmissão de calor. O vinho é aquecido e permanece a uma temperatura na faixa dos 50°C por 90 dias, seguidos de mais 90 dias à temperatura ambiente. Assim fica a mercê das oxidações e reduções sucessivas que aportam ao vinho seu aroma e paladar peculiar. O vinho também muda de cor, perdendo densidade cromática e adquirindo laivos acastanhados ou amarelados.
Após falar sobre o Madeira, Johnson nos introduz a outro importante vinho fortificado, o Porto. Inicialmente somos levados a uma cena bem tradicional onde portugueses dançam sobre os cachos das uvas para extrair o mosto mostrando todo o primitivismo que ainda encontramos em algumas poucas vinícolas do Porto. Johnson nos explica, de forma breve, o processo de produção o vinho do Porto. Conta que o mosto fermenta por apenas de dois dias para que se extraia apenas metade de seu açúcar transformado em álcool. A partir daí todo o suco é levedado para as pipas, que já estão com uma quantidade certa de aguardente vínica em seu interior para frear a fermentação. Em seguida, fala da polêmica que foi, no século 19, o fato deste vinho utilizar este processo de adulteração para frear a fermentação.
Conta também a história de Joseph James Forrester, um cartógrafo e cientista, que, assim como muitas personalidades de seu tempo, defendeu arduamente a não adulteração, que ele considerava uma prática maliciosa. Na sua obra de 1844, Uma palavra ou duas sobre o vinho do Porto, declarou guerra aos que adulteravam o vinho. Johnson conta também como James morreu afogado, em 1861, em uma das viagens que fez pelo Douro levando o vinho a te a cidade do Porto. O peso do cinto de dinheiro que levava junto ao corpo fez com que ele afundasse e nunca fosse encontrado. E conta como que o mesmo venho a perecer afogado nas viagens nas corredeira tortuosa do douro que era atravessada naquela época para levar o vinho até a cidade do Porto. O barco de Forrester virou-se em 1861, no Cachão da Valeira, sendo arrastado para o fundo por causa do cinto com dinheiro que levava consigo, nunca tendo sido encontrado o seu corpo. Conta a história que, Nessa derradeira viagem, James estaria acompanhado de D. Antónia Adelaide Ferreira, mais conhecida como "Ferreirinha", que, segundo reza a história, não se afogou porque as saias de balão que vestia a fizeram flutuar até à margem do Rio Douro. Hoje em dia, depois de construídas algumas barragens, o Cachão da Valeira, local do naufrágio, já não constitui o perigo de antigamente para os navegadores do Douro. Além disso, o vinho desce pelas estradas e não mais pelo rio.
Johnson continua, também sem se aprofundar muito, falando sobre dois diferentes tipos de porto: o Tawny e Vintage.
Mais tarde farei um post mais detalhado sobre este vinho que aprecio tanto, assim como fiz do Jerez. Aproveitem o vídeo!
segunda-feira, 21 de março de 2011
A História do vinho por Hugh Johnson (Vídeo) - Episódio 8 (Madeira e Porto)
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