sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Vinhos do Ribera del Duero e um Pata Negra na Bodeguita de San Segundo

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Estava na cidade de Ávila, na Espanha, e numa caminhada de reconhecimento por esta interessante cidade medieval, totalmente cercada por uma das mais belas muradas que já vi, me deparei com um simpático restaurante que tinha um enorme pata negra (presunto tradicional da região da Extremadura) sendo cortado por um experiente atendente.

O restaurante se chamava “Bodeguita” de San Segundo, afinal seu grande diferencial era uma excepcional seleção de vinhos, principalmente da região de Ribera del Duero. Irresistível, não houve outra coisa a fazer do que pedir uma porção daquele presunto e começar uma séria degustação de alguns daqueles vinhos incríveis que se encontravam à disposição.
De início tomamos um "Viña Pedroza" 2006, da Bodega Hermanos Pérez Pascoas, um vinho encorpado e frutado com aromas de carvalho tostado devido ao seu estágio de 18 meses em barrica. A vinícola é familiar, pioneira na Ribera del Duero e fica a uns 200 km ao norte de Madrid. Três irmãos Benjamín, Manuel e Adolfo Pérez Pascuas, resolveram, em 1980, investir nos vinhedos de seu pai, Mauro Pérez, com objetivo de elaborar um vinho de grande qualidade e projeção internacional. Produzem hoje apenas 500 mil garrafas ao ano.

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Em seguida, tomamos um "Arzuaga" 2006, de uma vinícola também da Ribera del Duero fundada no início dos anos 90 pela família Arzuaga-Navarro mais especificamente por Florentino Arzuaga. O vinho tem uma coloração vermelho rubi, é muito frutado e possui também muitos aromas provenientes de sua estada de 15 meses em madeira.
O terceiro vinho foi um "Dehesa de lo Canonigos" 2006, proveniente de uma bodega que pertenceu inicialmente ao clero de Valladolid. O vinho de cor rubi brilhante apresenta, no nariz, muita fruta e tostado. Um vinho muito bem equilibrado, bem estruturado e bastante persistente. A guarda é feita em barril de carvalho americano e seu corte é de 88% tinto fino e 12% cabernet sauvignon.

O penúltimo foi um "Mauro" 2007, vinho equilibrado e bem frutado com notas de ervas aromáticas. A bodega foi fundada em 1980 por Mariano Garcia, dois anos antes da constituição da Denominación de Origen Ribera del Duero. A Bodegas Mauro ficou excluída da D. O. por razões estritamente geográficas e por isso seu vinho é classificado como da terra de Castilla y León.

Para encerrar tomamos um Dolç de Mendoza, um vinho doce natural elaborado com vindimas procedentes dos vinhedos próprios de Enriquie Mendoza, situados na Finca El Chaconero en Villena e com D.O. Alicante. Só em anos muito especiais se pode elaborar este vinho que necessita de uvas especialmente sãs e capazes de esperar uma maturação tardia até que os cachos sejam retirados em dezembro. Este vinho singular e composto por um corte de merlot, cabernet, syrah, pinot noir e monastrell forma uma mistura bem atípica para vinificação de um vinho doce. O resultado é um vinho escuro, potente de cor, aromas e sabor. Com notas no nariz de massa de pão cru, anis, geléia de laranja e fruta cristalizada. O vinho também é bem provido de álcool. Enfim, a noite, como vocês podem imaginar, foi inesquecível!

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sexta-feira, 12 de março de 2010

Horizontal na Casa Lapostole

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Uma vinícola ou uma obra de arte? Quem visita a casa Lapostolle, especialmente a área dedicada à produção do seu vinho ícone o "Clos Apalta" fica abismado com o refinamento estético desta bodega localizada no Vale Conchagua. O vinho que ela abriga foi lançado em 1997 e é produzido em quantidade limitada com uvas cultivadas na própria vinha da Apalta.

O vinho, que é um corte de Merlot, Petit Verdot, Carménère, e Cabernet Sauvignon, já ganhou diversos prêmios internacionais e foi considerado o vinho do ano pela revista Wine Spector em 2008. A colheita é manual e, após o engaço (os cabinhos do cacho) ser retirado à mão, as uvas são levadas para sua fermentação natural, que ocorre em tanques de carvalho francês. Cada tanque corresponde a uma parcela específica das uvas do Apalta, o que permite que a personalidade do terroir seja melhorada em cada caso. A fermentação malolática é feita em barricas novas. Em seguida, o vinho passa para o envelhecimento por dois anos também em barricas novas de carvalho francês.

Tive a oportunidade de degustar as premiadas safras de 2005 e 2006 no fim da degustação horizontal que realizei na Casa Lapostolle, em 2009. Antes tive a oportunidade de degustar um "Casa Lapostolle Sauvignon Blanc" 2008, um "Casa Lapostolle Chardonay" 2007 e o "Cuvée Alexandre Chardonay", também da mesma safra, seguido do "Cuvée Merlot" 2006.

O "Casa Lapostolle Sauvignon Blanc" 2008 tinha uma cor amarela suave com um ligeiro toque esverdeado. No nariz, pêra, flores brancas e frutas cítricas, e na boca uma boa acidez que oferecia um agradável frescor. O "Casa Lapostolle Chardonay" 2007 era amarelo brilhante e seu aroma era de frutas tropicais (manga, lichia e mamão) mas também apresentava um pouco de damasco e um bem suave toque de madeira. Já o "Cuvée Alexandre Chardonay" 2007 apresentava uma tonalidade amarelo ouro e no nariz, fruta intensa com uma nítida presença de tangerina e flores brancas. Na boca uma suave cremosidade e no retrogosto, mais frutas cítricas. Em seguida, "Cuvée Alexandre Merlot" de cor rubi com aromas de amoras, pimenta do reino e um toque de manjericão. A madeira, também presente, dava um toque de baunilha e noz moscada.

O Clos Apalta

A safra de 2005 realmente se destacava, possuía uma cor vermelho rubi muito intensa com toques violetas. No nariz, era exuberante e ao mesmo tempo complexo com aromas de frutas negras e vermelhas, como amora, mirtilo, cereja negras e também cheiro de figo seco ou, poderia arriscar, um pouco do cheiro adocicado do figo Ramy. A madeira presente, com elegância, traz aromas de baunilha, e até um toque de especiarias, como uma nota de cravo da índia. A safra 2006, também muito interessante, expressa bem a tipicidade da carménère presente no corte deste vinho. Aqui também senti os aroma de frutas negras e vermelhas selvagem, e a madeira confere também aroma de mocha e vanilla.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

De uma festa de casamento a uma viagem horizontal pelos vinhos da Viu Manent.

A noite estava linda e o casamento belíssimo, na Vila Riso, no Rio de Janeiro. A noiva era uma amiga antiga, a Carolina Goma, que conheci em viagem ao Chile, no início de minha juventude. Na festa revi amigos chilenos que conheci na mesma época e, sentado à mesa entre uma taça e outra de vinho, comecei a falar com uma amiga querida, Paula Trivelli, sobre minha descoberta do mundo dos vinhos.

Impulsionada por minha empolgação ao falar do assunto ela fez questão de me convencer a visitá-la no Chile onde ela me apresentaria a um grande amigo, na época, enólogo chefe da vinícola Viu Manent.

Grant Phelps, um jovem Neo Zelandês simpaticíssimo e super talentoso, me recebeu como se já fossemos amigos de longa data. Além de me abrir sua própria casa e alguns dos incríveis vinhos que tinha em sua adega, Phelps me auxiliou na visita às várias vinícolas do Vale Conchagua ligando diretamente para os enólogos responsáveis, que me recebiam com uma atenção toda especial. Em alguns momentos ele mesmo me acompanhou, como no caso da visita à Casa Lapostolle.

Grant também me ofereceu uma degustação vertical do vinho que ele mesmo produzia. A degustação foi praticamente completa. Provamos ao todo mais de 14 rótulos, alguns realmente muito significativos. Toda a linha do Secreto, Gran Reserva, Single Vineyard, Vibo e Viu 1. Encerramos com o vinho de sobremesa nobre Semillon.

Grant Phelps agora é enólogo da vinícola boutique Casa del Bosque, em Casablanca, e eu não vejo a hora de lhe fazer outra visita.

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