segunda-feira, 21 de março de 2011

A História do vinho por Hugh Johnson (Vídeo) - Episódio 8 (Madeira e Porto)

Neste vídeo Hugh Johnson conta um pouco da história dos vinhos Madeira e do Porto. Hugh diz que poderíamos chamar o vinho Madeira de um "vinho acidental", pois ninguém no século XVI iria procurar vinhos em uma remota ilha do Atlântico.
Somente os navegantes que iam para o Novo Mundo, e que tinham que parar obrigatoriamente nesta ilha para abastecer seus navios, acabavam provando este vinho local.
Johnson conta que os viajantes não gostavam muito deste vinho, pois o achavam muito pouco encorpado. Porém, ao carregar este vinho no barco, cruzando o oceano até chegar na América, eles ficaram muitos surpresos com o que aconteceu com o sabor desta bebida: melhorou substancialmente.
Os britânicos não queriam autorizar o mercado livre entre suas colônias e a Europa. Porém, para o Rei João II, como a Ilha Madera não integrava a Europa e sim a África, e como fazia parte da rota do ingleses para a América, acabou se tornando o vinho preferido das colônia da América do Norte e da América do Sul. Em pouco tempo o Madeira cruzou de volta o Atlântico e passou a estar presente não só nas mesas requintadas das colônias como também das cortes européias. Só para ter uma idéia da importância deste vinho, em 4 de Julho de 1776 foi com ele que se brindou à independência dos Estados Unidos da América, provavelmente por ser uns dos vinhos favorito do estadista Thomas Jefferson.
O método de produção remonta ao ambiente enfrentado nos porões dos navios, que a mercê das altas temperaturas dos trópicos, regressavam claramente melhorados. A partir do século XVIII engenhos foram adaptados para sua produção. Os vinhos eram colocados próximo ao telhado para um aquecimento direto ou se fazia uma circulação do vapor de água através de serpentinas de cobre.
Hoje as técnicas evoluíram e atualmente estufas modernas são construídas em aço inoxidável, com camisas de transmissão de calor. O vinho é aquecido e permanece a uma temperatura na faixa dos 50°C por 90 dias, seguidos de mais 90 dias à temperatura ambiente. Assim fica a mercê das oxidações e reduções sucessivas que aportam ao vinho seu aroma e paladar peculiar. O vinho também muda de cor, perdendo densidade cromática e adquirindo laivos acastanhados ou amarelados.
Após falar sobre o Madeira, Johnson nos introduz a outro importante vinho fortificado, o Porto. Inicialmente somos levados a uma cena bem tradicional onde portugueses dançam sobre os cachos das uvas para extrair o mosto mostrando todo o primitivismo que ainda encontramos em algumas poucas vinícolas do Porto. Johnson nos explica, de forma breve, o processo de produção o vinho do Porto. Conta que o mosto fermenta por apenas de dois dias para que se extraia apenas metade de seu açúcar transformado em álcool. A partir daí todo o suco é levedado para as pipas, que já estão com uma quantidade certa de aguardente vínica em seu interior para frear a fermentação. Em seguida, fala da polêmica que foi, no século 19, o fato deste vinho utilizar este processo de adulteração para frear a fermentação.
Conta também a história de Joseph James Forrester, um cartógrafo e cientista, que, assim como muitas personalidades de seu tempo, defendeu arduamente a não adulteração, que ele considerava uma prática maliciosa. Na sua obra de 1844, Uma palavra ou duas sobre o vinho do Porto, declarou guerra aos que adulteravam o vinho. Johnson conta também como James morreu afogado, em 1861, em uma das viagens que fez pelo Douro levando o vinho a te a cidade do Porto. O peso do cinto de dinheiro que levava junto ao corpo fez com que ele afundasse e nunca fosse encontrado. E conta como que o mesmo venho a perecer afogado nas viagens nas corredeira tortuosa do douro que era atravessada naquela época para levar o vinho até a cidade do Porto. O barco de Forrester virou-se em 1861, no Cachão da Valeira, sendo arrastado para o fundo por causa do cinto com dinheiro que levava consigo, nunca tendo sido encontrado o seu corpo. Conta a história que, Nessa derradeira viagem, James estaria acompanhado de D. Antónia Adelaide Ferreira, mais conhecida como "Ferreirinha", que, segundo reza a história, não se afogou porque as saias de balão que vestia a fizeram flutuar até à margem do Rio Douro. Hoje em dia, depois de construídas algumas barragens, o Cachão da Valeira, local do naufrágio, já não constitui o perigo de antigamente para os navegadores do Douro. Além disso, o vinho desce pelas estradas e não mais pelo rio.
Johnson continua, também sem se aprofundar muito, falando sobre dois diferentes tipos de porto: o Tawny e Vintage.
Mais tarde farei um post mais detalhado sobre este vinho que aprecio tanto, assim como fiz do Jerez. Aproveitem o vídeo!

domingo, 20 de março de 2011

Entrevista com Blogueiros: Jeriel da Costa (Blog do Jeriel)

Hoje continuamos nossa série de entrevistas falando com o Jeriel da Costa, do “Blog do Jeriel”. O blog é um dos líderes de audiência dentro do Enoblogs. Graças à dedicação de Jeriel somos brindados com muitas curiosidades e informações sobre eventos, degustações, viagens e novidades do mundo do vinho. Vamos à entrevista!

Espaço do vinho: Jeriel, seu blog, está entre os líderes de audiência dentro do Enoblogs, em fevereiro de 2011. Quando você resolveu lançá-lo imaginava que iria alcançar este sucesso tão rapidamente?

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Jeriel: Sinceramente não. Mas desde o início do blog sempre mantive uma rotina de atualizações constantes, porque não adianta ter um blog sem alimentá-lo. Observo que tem muita gente que cria um blog supõe ser fácil mantê-lo, mas não é assim. Querer resultados imediatos é uma bobagem. Quem cria um blog precisa dizer o que pretende com ele!
EV: Como surgiu a idéia de fazer um blog para falar de vinhos?
J:
Se você acessar o portal da SBAV-SP e clicar no link degustações vai verificar que mais de 90% dos textos são da minha autoria. Escrevi de 2005 até o fim de 2010. Um jornalista de uma revista de grande circulação, da qual fui degustador no período de 2004 ao começo de 2010, disse-me que eu merecia ter um blog. Então gentilmente criou o blog e me cobrou um preço bem camarada. No começo ele só era acessado pelo pessoal da SBAV e por alguns amigos, mas a notícia foi se espalhando e atualmente estou bem próximo de ultrapassar a marca de 1.000 acessos diários e de chegar ao milésimo post. Nem imaginava que isso fosse acontecer, mas estou bastante feliz com isso.
EV:Algum vinho em especial foi responsável pelo seu ingresso definitivo no mundo do vinho?
J:
Quando comecei a me interessar por vinho só degustava chilenos e brasileiros. Em 1996 comprei uma garrafa do Chateauneuf-du-Pape Celestin Planchon 1992, importado pela Expand no antigo Mappin da Pça. Ramos, por R$ 17. Lembro de tê-lo tomado no começo da década de 1980 no saudoso restaurante Bayuvar, da Avenida Adolfo Pinheiro. Ele rivalizava com o Dinho's Place e Rubayat. Seu lema era "o bom gosto". Tinha uma carta repleta de opções. Depois dessa aquisição, comecei a comprar vinhos com alguma regularidade e comecei a frequentar a SBAV desde 1998. Até hoje, o Chateauneuf-du-Pape é um vinho muito importante para mim!
EV: O que você ainda não viu, mas gostaria de ver no mercado e em atividades sobre vinhos em São Paulo?
J:
Que o preço do vinho nos restaurantes tivesse um ágio de, no máximo, 10% sobre o valor de venda sugerido por seus importadores. Outro sonho que tenho é a criação de uma associação de blogueiros. Acredito na sua viabilidade porque me deparo com diversos blogueiros e observo que, ao menos até agora, compartilhamos opiniões semelhantes. Assim como existe ABS, SBAV, revistas especializadas, confrarias, uma associação dessa natureza serviria tão-somente para fortalecer essa categoria emergente.
EV: Se você tivesse que escolher um livro sobre vinhos, qual você recomendaria a um amigo enófilo? E por quê?
J:
No momento estou lendo o Atlas Mundial do Vinho, da Jancis Robinson e Hugh Johnson. Qualquer livro desses dois autores são altamente recomendáveis.
EV: Indique para nós um vídeo imperdível, disponível na internet, sobre vinhos que você recomenda?
J:
Posso indicar dois filmes: "Sideways"


e "Um bom ano".


São dois filmes divertidos e bom para quem está se iniciando no mundo do vinho.

terça-feira, 1 de março de 2011

Entrevista com Blogueiros: Silvestre Tavares Gonçalves (Vivendo a Vida)

Hoje continuamos nossas conversas com blogueiros com o autor do Blog Vivendo a Vida, que esta se mantendo como líder de audiência dentro do Enoblogs. Silvestre Tavares Gonçalves é, como ele mesmo diz, um capixaba apaixonado por vinhos e gastronomia. Assim como nas outras entrevistas fizemos perguntas sobre o seu Blog e aproveitamos para nos informar um pouco mais sobre os eventos e sobre o mercado de vinhos na cidade de origem de nosso entrevistado, Vitória. Também como de praxe pedi dicas de um livro e um vídeo imperdível para vocês amigos leitores.

Silvestre

Espaço do vinho: Silvestre, o blog Vivendo a Vida, se tornou líder de audiência dentro do Enoblogs em Janeiro de 2011. Quando você resolveu lançar seu blog em Junho de 2009 imaginava que iria alcançar este sucesso tão rapidamente? 
Silvestre Taveres Gonçalves: O sucesso e a rapidez em alcançar um reconhecimento se deve em grande parte ao ENOBLOGS, que alavancou os acessos, cabendo depois transmitir informações verdadeiras e de interesse  dos enófilos.

EV: Como surgiu a idéia de fazer um blog para falar de vinhos?
STG:
Surgiu quando senti mais confiança nas minhas opiniões, e me inspirando em vários blog filiados ao ENOBLOGS.      
       
EV: Algum vinho em especial foi responsável pelo seu ingresso definitivo no mundo do vinho?
STG:
Não. O que mais me agradou para o ingresso definitivo, foi a grande integração com as pessoas, novas amizades, bate papo, boa comida....

EV: Quais são os eventos de vinho mais interessantes que ocorrem em Vitória, tais como feiras, degustações, confrarias entre outros?
STG:
Os maiores são Vitória Expovinhos e o Encontro Internacional do Vinho. Fora os dois, tem eventos toda semana com importadoras que vem apresentar seus vinhos, degustações nas lojas como na Enótria, Ville du Vin, Casa do Porto, Grand Cru, Zanatta....   

EV: O que você ainda não viu mas gostaria de ver no mercado e em atividades sobre vinhos em Vitória?
STG:
Gostaria de ver uma Enomatic em funcionamento por aqui......seria um cliente fiel!!!

EV: Qual livro sobre vinhos você recomendaria a um amigo enófilo? E por que?
STG:
Harmonização de Euclides Penedo Borges. Por nos orientar de forma ampla sobre o melhor casamento entre a comida e o vinho.

EV: Cite um vídeo imperdível disponível na internet sobre vinhos?
STG:
Degustação às cegas, imperdível....