Estáva em Haro, a cidade mais importante da indústria da viticultura da região de La Rioja, na Espanha. Havía dirigido muitos quilômetros e quería fazer um programa a pé visitando as bodegas mais importantes situada nesta cidade. Para isso escolhi duas: Rioja Alta e Torre de Muga ambas situados no bairro histórico de “La Estación de Haro”.
Inicialmente comecei minha visita pela bodega Muga. O edifício principal tem mais de dois séculos. Nos seus 25 mil metros quadrados tudo gira em torno do carvalho. Aqui eles produzem as barricas em uma tanoaria da própria bodega. Atualmente a vinícola possui 14 mil barricas de carvalho francês (Allier, Tronçais o Jupilles), americano, húngaro, russo, e até algumas feitas com carvalho espanhol. Na visita, conversando com a simpática Carmem, nossa guia, perguntei quais eram as características dos vinhedos da Bodegas Muga e em geral dos vinhos produzidos nessa região de Rioja Alta.
Ela me contou que, além de desfrutar de um clima peculiar por conta de sua geografia e das influências tanto do Mar Mediterrâneo e do oceano Atlântico, esse terroir conta maioritariamente com um solo composto de argila e calcário que entregam uma personalidade singular à uva. Seu ciclo vegetativo é longo, onde a uva e seus componentes seguem uma maturação delicada, prolongada e completa. A Bodega Muga possui 200 hectares de vinhedos próprios. Além disso, controla mais 150 hectares de agricultores exclusivos. São cultivados em seus vinhedos Tempranillo (que constituem a essência de seus tintos) Garnacha, Mazuelo e Graciano, para os tintos, e Viúra e Malvasia para os brancos.

Na bodega fiz uma degustação horizontal dos vinhos produzidos mas sem dúvida o que mais me impressionou foi o Torre de Muga 2005. Era um vinho de excelente estrutura e com aromas de geléia de frutas negras e brioche e também com toques de especiarias como canela, dill e também caramelo, cacau e até mesmo um pouco de feno. O retrogosto era marcante com mais notas de especiarias e o vinho era bastante persistente.
Ao sair da Bodega Torre de Muga fui a pé até a bela vinícola Rioja Alta, que estava bem montada para realização de enoturismo. Algumas coisas, porém, eram cenográficas, como a tanoaria que passamos logo no início da visita. Era linda, mas inoperante, estava ali só para eles explicarem como eram feitas as barricas, diferente da Bodega Torre de Muga, que possuía uma tanoaria própria e ativa.

O lugar era bonito, tinha um jardim na frente da recepção e uma loja atraente onde generosamente pude degustar quase todos os vinhos produzidos nesta bodega. Um dos que mais se destacaram, na minha opinião, foi o La Rioja Alta Gran Reserva, de 1997. Um vinho de cor granada de aroma amplo, penetrante, com notas de especiarias e pelica, tendo no fundo frutas maduras. Na boca, muita estrutura, taninos amaciados pelo tempo e uma acidez suave. Excelente retrogosto, com notas balsâmicas e de especiarias que se mostram persistentes.
Nenhum comentário:
Postar um comentário