quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Dois encontros com Émile Peynaud

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Depois de encontrar uma entrevista de 1980 com Émile Peynaud falando com toda a sua genialidade no clássico programa “Apostrophes”, do jornalista Bernard Pivot (o mais visto nas noites de sexta-feira na França até junho de 1990), resolvi escrever este post com o objetivo de falar sobre este mito do mundo do vinho e a possibilidade de vê-lo em duas célebres entrevistas.

Émile Peynaud foi responsável por diversas pesquisas na estação agronômica e enológica de Bordeaux e pela formação de importantes enólogos na Escola Superior de Enologia que hoje leva seu nome. Peynaud foi também responsável pela recuperação e renovação de muitas vinícolas e vinhos famosos, atuando como consultor, entre outros, dos Cheval Blanc, Léoville-Poyferré, Châteaux Lafite, Pichon-Lalande, La Lagune e Pape Clément. E escreveu diversos livros, entre eles o clássico "
O Gosto do vinho” que expõe suas consagradas ideias e pontos de vista sobre esta bebida que tanto amamos.

No primeiro vídeo Émile Peynaud é entrevistado junto com
Alexis Lichine, um escritor russo que ficou famoso na França pelo importante papel que exerceu como negociante do mundo do vinho (foi o diretor de exportação do Château Haut-brion) e como proprietário do Château Prieuré-Lichine e sócio do Château Lascombes no Médoc. Nessa entrevista, Lichine antevê que a França poderá perder sua posição de destaque no mercado internacional, pois apesar de produzir um ótimo vinho, não estava engajada para se manter como a maior produtora, exportadora e consumidora de vinho no mundo. Hoje vemos que ele estava certo.
Émile Peynaud, nesta mesma entrevista, nos ensina a degustar um vinho tendo a mão uma taça de Château Haut-Brion 1971 que ele descreve como um vinho já envelhecido apesar de ter apenas 9 anos de idade.

A segunda entrevista, intitulada “
La civilisation du vin” e realizada oito anos mais tarde, em 9 de dezembro de 1988, no mesmo programa e pelo mesmo entrevistador, tem nada mais nada menos que Émile Peynaud e Jancis Robinson (a famosa master of wine inglesa) juntos com outros convidados ilustres.
Nesta entrevista os convidados de Bernard Pivot se reuniram em torno de uma mesa para discutir a civilização do vinho e provar alguns rótulos. Marcel Lachiver, historiador francês que na época laçava seu livro “Vins, vignes et vignerons: Histoire du vignoble francais”, abriu o debate falando sobre a história das videiras, das vinhas e do vinho, seguido por Jean François Bazin, um político e jornalista que nos falava sobre o seu Borgonha favorito, o Montrachet, sobre o qual também estava lançando um livro. Já Jancis Robinson falou sobre o que a levou a trabalhar com vinhos. Robinson contou que, ainda jovem, percebeu que "havia algo além do vinho no copo, um outro mundo…" e que após uma visita a região de Vaucluse descobriu que a comida e o vinho seriam o objetivo de sua vida.
Na mesa Michel Dovaz, jornalista francês que participou do
Paris Wine Tasting e que apresentava seu livro “Encyclopedie Des Crus Bourgeois Du Bordelais”, falou sobre os vinhos de Bordeaux não classificados, por Napoleão III em 1855 na época da exposição Universal de Paris de 1855 como Premier Gran Cru, mas que hoje são reconhecidos como vinhos de excelência. Émile Peynaud reafirmou e testemunhou sobre as revoluções dos vinhedos de Bordeaux durante seus anos de experiência na região. Jean Dethier, um arquiteto que havia recém apresentado uma exposição sobre os castelos de Bordeaux no Centre Georges Pompidou, explicou como que ele, um arquiteto, se interessou pelos castelos de Bordeaux. Disse que uma nova demanda por imóveis, movida por empreendedores interessados em investir na área da enologia por motivos culturais e econômicos, geraram um debate sobre uma nova postura para a arquitetura na região.
Os convidados no debate tiveram a oportunidade de degustar um “Montrachet” (Borgonha branco da casta Chardonnay, um “Haut Médoc” 1976, seguido de um “Hermitage” de 1979 (syrah), um vinho australiano considerado por Jancis Robson como o único "premier cru" do hemisfério sul, “Penfolds Grange”, e, finalmente, um vinho surpresa que Michel Dovaz identificou como um Grenache Noir.
Infelizmente não pude compartilhar o link desta segunda entrevista pois ele não esta disponível de forma aberta pelo Instituto Nacional Audiovisual. Se você quiser vê-la terá que comprá-la
aqui.

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